[Crônica] O doce encanto dos antigos papéis de carta


Uma coleção modesta para uma menininha dos anos 90. A quantidade não era importante, já que as condições financeiras não eram favoráveis. Ali o que importava era a magia que morava em cada desenho... Ela olhava, folheava, trocava, destrocava, sentia, cheirava, sonhava e vivia cada detalhe da arte impressa com o olhar atento e o coração aquecido. A pasta era envelhecida, os plásticos meio desgastados e alguns papéis amassados. 

Cada moeda era útil para alimentar a doce coleção... Juntava-se uma a uma... E, assim, o desenho preferido era paquerado pela menininha através da vitrine da papelaria. Quando tinha os trocados em suas pequenas mãozinhas, corria freneticamente pelo bairro, de bazar em bazar, em busca de novos papéis, os mais bonitos e que despertassem o olhar alheio, porém sem troca na maioria das vezes. Era um exibicionismo inocente, uma busca constante de imaginação infantil, pois olhar aqueles desenhos era mergulhar neles e viver cada detalhe como se a criança fosse parte integrante daquele universo artístico. Ter um papel de carta desejado era a mais pura ostentação.

 As amiguinhas da escola e do prédio tentavam convencê-la a trocar e a doar alguns papéis de carta, mas ela nem sempre cedia. Era divertido e prazeroso reunir as amigas para que juntas olhassem aqueles papéis e também para que pudessem despertar uma certa inveja. "Eu tenho, você não tem, eu sei que deseja trocar comigo, mas eu não troco". Não era um simples olhar. Era uma espécie de leitura encantada: as cores eram soletradas, as formas do desenho narradas na mente, a história de cada papel...  imaginava-se a quantidade de trocas que cada papel tivera, como cada dona cuidara dele. Renovar a pasta era divertidíssimo: tira, põe, negocia, renegocia... Às vezes era possível recuperar um papel há tempos trocado. Parecia que ele voltava diferente, com uma outra roupagem. (tinha histórias para contar). Isso tudo é  maluquice pura! Saudades. 

O enamoramento na vitrine era algo frequente. A  tia do bazar até reconhecia o olhar de felicidade da menininha quando o papelzinho  desejado há tempos era enfim comprado. Vendedora e cliente pareciam cúmplices e amigas por alguns minutos. Após comprar a sua arte desejada, ela saía radiante pelas ruas do bairro e voltava para casa com medo de perder o novo item da humilde coleção. E se chovesse? E se a nova aquisição caísse no chão e o vento levasse embora? 

O tempo voou e as memórias continuaram firmes na árvore do encantamento. As folhas mágicas dessa árvore ainda dão frutos quando alguns desenhos ainda saltitam para fora... Esses desenhos invisíveis são insights poéticos que ainda insistem em revisitar a menininha. Nostalgia sim, vivências tão doces e prazerosas naquele universo infantil dos anos 90. Direto do túnel do tempo. Direto da alma. 

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Um vídeo da coleção:



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Tema de julho / 2019:



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