Poema contendo neologismo

 


1) 

Neologismo

(Manuel Bandeira)


Beijo pouco, falo menos ainda.

Mas invento palavras

Que traduzem a ternura mais funda

E mais cotidiana.

Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.

Intransitivo:

Teadoro, Teodora.


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Poema contendo intertextualidade

 



Intertextualidade com cantigas de roda 

1)

O anel de vidro 

(Manuel Bandeira)


Aquele pequenino anel que tu me deste,

- Ai de mim - era vidro e logo se quebrou...

Assim também o eterno amor que prometeste,

- Eterno! era bem pouco e cedo se acabou.


Frágil penhor que foi do amor que me tiveste,

Símbolo da afeição que o tempo aniquilou -

Aquele pequenino anel que tu me deste,

- Ai de mim - era de vidro e logo se quebrou...


Não me turbou, porém, o despeito que investe

Gritando maldições contra aquilo que amou.

De ti conservo na alma a saudade celeste...

Como também guardei o pó que me ficou

Daquele pequenino anel que tu me deste...

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2)

Na rua do sabão 

(Manuel Bandeira)


Cai cai balão Cai cai balão  Na Rua do Sabão!


O que custou arranjar aquele balãozinho de papel!  Quem fez foi o filho da lavadeira. Um que trabalha na composição do jornal e tosse muito.Comprou o papel de seda, cortou-o com amor, compôs os gomos oblongos... 


Depois ajustou o morrão de pez ao bocal de arame.


Ei-lo agora que sobe, - pequena coisa tocante na escuridão do céu. 

 Levou tempo para criar fôlego. Bambeava, tremia todo e mudava de cor.  A molecada da Rua do Sabão  Gritava com maldade:  Cai cai balão!


Subitamente, porém, entesou, enfunou-se e arrancou das mãos que o tenteavam. 


E foi subindo...                              para longe...                                                      serenamente...  Como se o enchesse o soprinho tísico do José.


Cai cai balão!

A molecada salteou-o com atiradeiras                          assobios                           apupos                          pedradas.

Cai cai balão!

Um senhor advertiu que os balões são proibidos pelas posturas municipais. 
 Ele foi subindo...                           muito serenamente...                                                               para muito longe...


Não caiu na Rua do Sabão.  Caiu muito longe... Caiu no mar - nas águas puras do mar alto.


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Melhor bolo de fubá do mundo - Simples de liquidificador


 Bolo fofo de fubá

Ingredientes


3 ovos

1 xícara de açúcar

1 xícara de fubá

1 colher de fermento

1 xícara de farinha de trigo

1 xícara de leite

1 xícara de óleo


Modo de fazer


Bata todos os ingredientes no liquidificador. Depois acrescente 1 xícara de açúcar e 1 colher de fermento. Bata novamente. Coloque a massa em uma forma untada e leve ao forno para assar.


Poemas para o dia dos pais

 


1)

A casa

(Mia Couto)


Sei dos filhos
pelo modo como ocupam a casa:
uns buscam os recantos,
outros existem à janela.

A uns satisfaz uma sombra,
a outros nem o mundo basta.
Uns batem com a porta,
outros hesitam como se não houvesse saída.

Raras vezes sou pai.
Sou sempre todos os meus filhos,
sou a mão indecisa no fecho,
sou a noite passada entre relógio e escuro.

Em mim ecoa a voz
que, à entrada, se anuncia: cheguei!
E eu sorrio, de resposta: chegou?
Mas se nunca ninguém partiu…

E tanto em mim
demoram as esperas
que me fui trocando por soalho
e me converti em sonolenta janela.

Agora, eu mesmo sou a casa,
casa infatigável casa
a que meus filhos
eternamente regressam.

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2)

As mãos do meu pai

(Mário Quintana)



As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos...

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.

E é, ainda, a vida
 que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida — que transcende a própria vida...
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma...


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3)

A voz do meu pai

(Manoel de Barros)


Abro os olhos.
Não vejo mais meu pai.
Não ouço mais a voz de meu pai.
Estou só. Estou simples.
Não como essa poderosa voz da terra
com que me estás chamando, pai —
porque as cores se misturam
em teu filho ainda
e a nudez e o despojamento
não se fizeram em seu canto;
mas, simples por só acreditar
que com meus passos incertos
eu governo a manhã
feito os bandos de andorinha
nas frondes do ingazeiro.


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Poemas sobre Epitáfio

Epitáfio 
(Cecília Meireles) 

Ainda correm lágrimas pelos
teus grisalhos, tristes cabelos, 
na terra vã desintegrados, 
em pequenas flores tornados. 

Todos os dias estás viva, 
na soledade pensativa, 
ó simples alma grave e pura, 
livre de qualquer sepultura! 

E não sou mais do que a menina 
que a tua antiga sorte ensina. 
E caminhamos de mão dada
 pelas praias da madrugada. 

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Meu epitáfio 

(Cora Coralina)

Morta… serei árvore
Serei tronco, serei fronde
E minhas raízes
Enlaçadas às pedras de meu berço
são as cordas que brotam de uma lira.

Enfeitei de folhas verdes
A pedra de meu túmulo
num simbolismo
de vida vegetal.

Não morre aquele
que deixou na terra
a melodia de seu cântico
na música de seus versos.

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