[Ficção] O cara dos bombons


Olá, anjos, tudo bem? O post de hoje é um texto ficcional de minha autoria. Espero que gostem!


Eu era um adolescente todo desengonçado, repleto de espinhas no rosto, um verdadeiro nerd  com um quê de metidez que  nem eu sabia explicar direito. Bonito eu não era, popular muito menos. Ué, eu tinha motivos para ser metido?  Talvez não porque eu fosse de fato metido, mas por eu me  achar o  ban-ban-ban da  inteligência, afinal eu devorava três livros por semana. Quem da minha sala lia essa quantidade de livros? Quem da minha sala se preocupava tanto com os estudos? Essas lembranças ainda são fortes para mim porque essa soberba toda foi totalmente revertida em uma espécie de mudança sem explicação. Ninguém entendeu por que de repente eu comecei a regredir na escola. O cara espinhento que só tirava dez passou a tirar dois em todas as disciplinas. 



Tudo começou quando eu briguei com o meu melhor amigo em uma tarde de estudos. Estávamos conversando sobre animes, mangás e livros como sempre fazíamos e de repente o cara solta a seguinte frase para mim:



- Nando, você vai me desculpar, mas eu acho que você é muito bitolado!



- O quê?



- É verdade, cara! Não quero que fique magoado comigo, tá? Sei que passamos a nossa infância inteira brincando, jogando e discutindo nerdices, mas agora eu cansei de tudo isso, cara! Eu quero ter uma vida normal como qualquer outro adolescente e não pretendo mais ficar perdendo meus finais de semana em frente ao computador enquanto tem várias meninas gatas por aí. 

- Ah, fala sério, Jorge! Você só pode estar brincando! O que é isso, cara?


- Não estou brincando e acho que você devia começar a mudar. Já se olhou no espelho? Seu rosto é cheio de espinhas e você não está nem aí para a sua aparência, não toma uma atitude de mudar e consultar um dermatologista porque já desistiu de si mesmo. Cara, você não é feio, mas essas espinhas espantam as garotas! Se você conseguir limpar sua pele com certeza você vai deixar de ser um boca virgem.  Pelo amor de Deus, não quero que pense que eu estou te magoando, entendeu? Esses toques que estou te dando é para o seu bem! Você é e sempre será o meu melhor amigo!

As palavras do meu amigo Jorge vieram como várias facadas em meu corpo inteiro, principalmente no peito. Como doeu! Fiquei extremamente chateado com ele, segurei as lágrimas e disse:

- Beleza, você quer trocar nossas tardes de estudo e jogos por garotas fúteis, então vá em frente. Só não venha me dizer que a minha aparência é escrota porque você não tem esse direito. Quem vê pensa que você é o Justin Bieber, né? Se enxerga, tá legal?  Agora quero que saia do meu quarto, da minha casa e da minha vida. 

- Nossa, Nando! Só queria mesmo te ajudar, mas você não liga para nada mesmo. Vá se enfurnar no quarto e ficar o dia todo no computador. Eu vou embora e vou viver, cara! Vou viver muito porque a adolescência passa muito rápido! Mas um dia você vai se lembrar desses toques de amigo e vai se arrepender de ter me expulsado da sua casa. Quem está chateado agora sou eu. Tchau!

- Adeus!

Meu melhor amigo foi embora para nunca mais voltar. E eu fiquei só, completamente só. Ninguém mais me entendia. Meus pais trabalhavam demais e ao invés de me darem atenção e carinho, só me enchiam de tecnologia cara e mesadas que eu não dava conta de gastar. Minha irmã era mais nova e o oposto de mim. Na verdade nem conversávamos direito.  Eu não era vaidoso, comia muito mal e estava ficando chato de tão bitolado que eu era. Só queria saber de internet, livros, animes e mangás. Eu não tinha outro assunto. O fato é que eu tinha acabado de espantar o meu melhor e único amigo. Depois que o Jorge sumiu da minha vida naquela tarde horrível, eu me tranquei no banheiro e chorei compulsivamente, como nunca havia chorado na vida. Abafei o choro com uma toalha para que minha irmã não escutasse. Ela estava na sala assistindo uma série e eu não queria que ela subisse para perguntar por que eu estava chorando. Logo eu, né? O cara nerd que não esboçava emoções, apenas intelectualidade. Chorei tanto que meus olhos ficaram inchados e vermelhos. 

Saí do banheiro e fui me deitar... Quem disse que o sono aparecia? Quem disse que eu ficava em paz comigo mesmo? Quem disse que eu conseguia fazer qualquer outra coisa a não ser chorar? É horrível quando alguém joga verdades na sua cara e você não quer ouvir. Um dos piores dias da minha vida. Sim, eu estava cego de mim mesmo. Tranquei-me em mim mesmo, jurando estar feliz com as minhas válvulas de escape, mas a verdade era nua e crua: eu me achava horrível e incapaz de arranjar uma namorada. Isso me feria demais! É claro que eu queria namorar. Todo adolescente quer beijar na boca e ser feliz.

A grande verdade que me martelava dia e noite era o meu coração que batia por uma menina dois anos mais velha,   funcionária do supermercado do meu pai. Ela era caixa, totalmente o oposto de mim, bonita e um pouco atrapalhada, nada inteligente, falava tudo errado, mas eu via nela um charme especial. Minha vontade era de ensinar muitas coisas para ela e moldá-la intelectualmente. Só de me imaginar ensinando várias coisas para ela eu me enchia de ternura.  Durante três anos eu suspirei por  ela em silêncio e a observava por aquela máquina de detectar códigos de barra. Chegava até a contar quantas vezes ela passava os produtos e o jeito que ela gesticulava. Sinistro? Pois é, todo apaixonado tem suas esquisitices.  De vez em quando eu deixava alguns bombons para ela na gaveta do caixa e de longe eu a via sorrindo, olhando para os lados para tentar descobrir o autor de tal gesto. Em vão. Ela jamais imaginaria que o cara espinhento era o romântico em silêncio. Além dos bombons, eu deixava alguns versos de poetas famosos e alguns versos escritos por mim, tudo isso para que despertasse nela o sabor doce de uma poesia n'alma. Deus me livre alguém descobrir sobre isso. Nem o Jorge sabia disso. Eu poeta? Era segredo!

Eu estava em frangalhos por causa das palavras impactantes que o meu amigo jogou no ar. Então fiz algo inédito na minha vida: resolvi lavar o rosto pela décima vez naquele dia, preguei a minha bunda na cadeira e entrei em uma sala de bate papo da internet. Logo eu, um cara que jamais havia conversado com alguma garota sem ser sobre assuntos escolares. E lá estava eu digitando um nickname para entrar na tal sala. Minhas mãos tremiam e era um mix de emoções. Eu estava tão magoado!  A ferida em meu peito era tão grande que eu resolvi testar os meus limites e fazer algo diferente, sair da zona de conforto que me fazia mal e eu não admitia. Sim, viver enfurnado no micro, nos livros e nas séries sem tentar qualquer outra coisa era algo que não estava me fazendo bem. Eu estava bitolado como o meu amigo havia jogado na minha cara. Ser bitolado não é algo saudável, concordam? O ser humano precisa de novidades, precisa descobrir outras fontes de prazer...  Embora eu não admitisse, as palavras de Jorge foram sim muito sensatas. Será que eu seria capaz de conversar com alguma garota?  Digitei "O cara dos bombons"  para ser meu nick porque foi o primeiro que me veio em mente. De repente, a primeira mensagem de uma menina chamada "cachos dourados":

- Oi, cara! Eu adoro bombons! 

- Olá, garota! Quantos anos vc tem?

- 15 e vc?

- Eu tenho 17. De onde vc é?

- Sou de Sp e vc?

- Tb

- Engraçado, mas eu tenho uma prima de 19 anos que sempre comenta comigo que um cara deixa bombons para ela no caixa do supermercado. Ela trabalha como caixa e está super desanimada, sabe? Ganha pouco, mas disse que quando abre o caixa e vê os bombons, ela fica sonhando, imaginando que o autor desse gesto deve ser um cara bem legal e bonito. Ela é bem romântica! Ela gosta também dos poemas junto aos bombons e disse que um dia vai aprender a escrever direito e arriscar uma poesia. 

Eu não acreditei na hora que li essa mensagem. Que coincidência! A prima da Angélica, a menina que eu gostava estava teclando comigo. Como assim? Que coisa mais louca e inacreditável! Gelei na hora mas fui em frente sem deixar que ela percebesse nada. Muito surreal tudo isso!

- Ela deve ser muito bonita sua prima, assim como você!

- Ah, eu sou loira, cabelos cacheados e olhos verdes, sou bonita sim, modéstia a parte e estou a procura de um namorado sério. Na minha família todas as meninas são lindas, parecem modelos. Minha prima Angélica é maravilhosa, tem os cabelos lisos castanhos e olhos cor de mel e está solteira assim como eu. E vc como é fisicamente?

Na hora eu tremi. Falar a real da minha aparência? Não podia fazer isso, então menti. E sobre a Angélica, ela só escreveu a verdade. Lindíssima minha anja atrapalhada. Como eu sonhava com um beijo dela!

- Sou bonito, mas uso óculos. Vc se incomoda?

- Não, adoro rapaz intelectual. Vc tem foto? Se quiser podemos conversar via whats.

- Ah, depois te passo. Vamos conversar mais por aqui. Vc gosta de ler?

- Não, odeio, Não sou uma menina intelectual, mas gosto de rapazes inteligentes. Que contraditório, né?  Assim a pessoa pode me ensinar algo, não acha? 

- Sim!

Conversa vai, conversa vem, acabei dando o meu número de telefone para a garota dos cachos dourados. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que nos tornamos melhores amigos um do outro? Passávamos muitas madrugadas conversando: ela desabafando sobre os paqueras e namoricos dela e eu me abrindo, sendo eu mesmo sem medos, tentando deixar de ser tão nerd. Eu simplesmente confiava nela e havia decidido abrir o meu coração. A essa altura de amizade, ela queria ver uma foto minha e disse, certa vez, por telefone:

- Nando, você disse que é feio e cheio de espinhas no rosto. Ok, não tem problema nenhum! Somos amigos, certo? Se eu te achar feio, qual o problema se nós não vamos namorar, hein? Somos amigos ou não somos? 

- Somos sim, Lara! Vou enviar a minha foto então, mas promete que não vai enviar nem mostrar para ninguém? Promete isso para mim?

- Prometo! Manda logo essa foto, chatinho! Tô esperando sentada, porque em pé cansa.... kkkkkk

Pronto! Acabara de enviar uma foto minha para ela do jeito que eu era... sem me preocupar com a reação da moça, afinal, havíamos formado um laço sincero de amizade. E essa amizade me deixava ansioso para estar com ela... Eu havia regredido nos estudos e só queria desabafar com ela, estar com ela para ler e/ou ouvir suas doces palavras que me acalmavam tanto. Pela primeira vez eu estava sendo visto pela alma e não pelo meu rosto craquelado e vermelho. Era como se ela fosse meu divã. Eu não estava apaixonado por ela, mas ela me fazia tão bem, tão bem, tão bem! Meu calmante, minha bonequinha.  Era pura irmandade mesmo, sem malícias. E parecia que eu estava sendo liberto de alguma coisa... como se muitas amarras do passado estivessem sendo soltas naqueles instantes de bate papo. Eram conversas intensas e íntimas. Eu contava para ela sobre uma paixão intensa, mas não dizia a ela que se tratava da prima dela.  O engraçado era que ela me incentivava a abrir o meu coração para  a garota e arriscar.  Ela entendia a minha alma e eu ensinava um pouco de cultura para ela. Certo dia, Larinha me fez uma proposta:

- Posso te ajudar? 

- Ajudar? Você já está me ajudando demais com a sua amizade, minha linda. A minha autoestima está melhorando, só que estou decaindo na escola e os meus pais agora estão no meu pé por isso. Melhorei no meu lado pessoal, mas na escola estou péssimo. 

- Não quero que a nossa amizade estrague os seus estudos. Não queira ficar burrinho como eu, né? kkkkk

- Ah, sua tonta! O que você queria dizer quanto a me ajudar? 

- Sobre sua aparência, Nando! Ao contrário do seu melhor amigo que lançou aquelas palavras, eu tenho outra forma de encarar isso e te ajudar de um modo muito eficaz. Quer saber como? Você vai se surpreender!

- Como assim?

- Quero que me encontre no endereço que vou te passar por torpedo e lá te conto tudo. 


No dia e local que combinamos, Larinha me deu um abraço muito caloroso e me disse:

- Seus problemas acabaram! Vamos subir? 

Era um edifício enorme e nele tinham várias salas comerciais. Eu não estava entendendo nada para ser sincero. Subimos até o último andar e de repente sou recebido por uma senhora vestida de branco que me recebeu com uma simpatia inacreditável:

- Olá, querido! A Lara me contou sobre o seu caso e vamos tratar a sua pele.

- O quê? A Lara não me disse que eu passaria com uma médica dermatologista.

- Eu sou avó da Larinha. Não se preocupe. Em três meses a sua pele vai mudar para melhor e você terá a sua autoestima de volta. Só preciso que seus pais autorizem o tratamento e depois podemos começar. 

Que surpresa! Fiquei emocionado com a atitude da minha amiga e resolvi aceitar o tratamento depois de conversar com meus pais e pedir a autorização deles. Conversamos bastante e na hora de ir embora, ela me deu um folheto explicativo muito interessante sobre o meu caso. Eu era muito relaxado com a minha aparência e os meus pais não tinham tempo de cuidar de mim. A Lara caiu do céu na minha vida. Bendito dia que resolvi entrar naquela sala de bate papo. Era um pontapé inicial. Eu precisava cuidar da minha pele pois havia descoberto que eu não era feio como eu imaginava. Sabe como eu descobri isso? Minha linda amiga Larinha tirou todas as minhas espinhas no photoshop e me mandou a foto dizendo:

- Nando, veja por si mesmo. Fiz essa montagem para te dizer que você é muito bonito sem essas espinhas que escondem o seu rosto. Parabéns! É assim que você vai ficar depois do tratamento com a minha avó.

Eu fiquei muito surpreso e feliz ao olhar para aquela montagem. Então eu não era feio? Minhas espinhas diminuiriam? As manchas sairiam aos poucos? Um dia eu teria a pele limpa? Nossa! Nem eu estava acreditando nessas mudanças maravilhosas que eu já começava a vislumbrar em sonhos. Angélica me veria com outros olhos e eu criaria coragem de conversar com ela cara a cara, poderia entregar os bombons e os poemas pessoalmente... E a reação de Lara ao descobrir que eu estava ocultando uma informação? Será que ela desmancharia nossa linda amizade? Eu torcia para que a nossa amizade não acabasse por esse detalhe.

Eu estava subindo um degrau, depois outro, outro e outro. O primeiro passo tinha sido dado e logo o topo estaria em minha frente e a vitória seria certa. Comecei o meu tratamento. Muito tímido a princípio, mas confiante na competência da médica. Em três meses a minha pele estava bem melhor, não estava curada ainda, mas com menos espinhas.  As manchas demorariam mais a sair, segundo a médica, mas a minha pele estava mais radiante e menos vermelha. Melhorei a alimentação também porque essa foi a primeira instrução da médica. Nunca mais comi comidas gordurosas e refrigerantes só tomava em momentos de confraternização. 


Seis meses se passaram e eu notei a minha vida mudar de repente. O toque de um ex amigo. A amizade sincera de uma pessoa diferente de mim que eu conheci de repente e sem esperar do destino. Uma dermatologista que cuidou de mim  de modo tão competente. Pessoas da minha convivência me elogiando pelas mudanças radicais e positivas. Garotas no colégio olhando para mim. Eu me sentia feliz e realizado pela primeira vez na vida. Meus interesses se diversificaram e eu não era mais um cara bitolado. Eu tinha assuntos diversificados para conversar e as pessoas começaram a perceber isso. As notas baixas na escola quase me fizeram perder o ano, mas eu corri atrás a tempo e consegui recuperar, de modo mediano, mas consegui. 


Em uma das tardes de bate papo com minha anjinha Lara, ela me disse por telefone:

- Preciso te contar algo

- O quê?

- Eu descobri tudo!

Gelei na hora! Será que ela havia descoberto sobre eu ser o cara dos bombons? Eu torcia para ela me perdoar.

- Descobriu o quê?

- Vou passar o  telefone para uma pessoa para você saber do que se trata, seu danadinho! Ocultou de mim o tempo todo que era apaixonado pela Angélica, né? Ela viu sua foto aqui no meu computador e eu contei que somos amigos e que o seu apelido era "o cara dos bombons".

- Oi, Nando! Aqui é a Angélica, sou prima da Lara e sou funcionária do seu pai. Então era você o autor dos bombons e dos poemas?

Meu coração estava saindo pela boca, eu suava, minhas mãos tremiam. Como assim? Será que eu teria chances? Minha timidez era muito grande ainda... Disso eu não tinha sido curado... Como falar do que eu sentia sem tremer e sem parecer um otário gago por telefone? Imagine então na frente dela como eu ficaria?

- S-s-s-sim, sou eu

- Não precisa ficar tímido, Nando! Eu comecei a te admirar depois de sua mudança. Você aparecia no supermercado de vez em quando com a pele mudando e de repente as espinhas diminuíram e eu comecei a perceber que você é bonito. As espinhas escondiam você, Nando! Parabéns pela atitude de mudar e se cuidar!

- O-o-o-obrigado, Angélica! Nem s-se-s-sei o que te dizer

- Não precisa dizer nada. Só queria te agradecer pelos bombons e pelos poemas. Você me enviou essas gentilezas num momento muito difícil da minha vida, você nem imagina como me ajudou com esses gestos. Eu ficava tão feliz em saber que alguém poderia estar apaixonado por mim. Eu tinha acabado de ser chutada pelo ex meu namorado porque ele descobriu que eu estava grávida, depois sofri um aborto espontâneo. Ninguém sabia disso!

- No-nos-sa, sinto muito, Angélica! Você está bem agora?

- Estou sim! A Larinha quer marcar uma balada hoje a noite. Você topa ir com a gente? Vai uma galera bem legal! 

Gelei de novo. Eu numa balada? Seria a primeira da minha vida... E eu ainda era BV (boca virgem). 

- To-to-to-po sim!

- Combinado, Nando! Larinha vai enviar o endereço pelo whats. Beijos

- Be-be-bei-jos


O que era aquilo? Eu estava muito trêmulo e sem palavras. Balada com a minha melhor amiga e com a menina dos meus sonhos? Meu Deus!

O dia parecia não passar. Cadê a noite que não chegava para eu ir logo nessa balada? Eu suava como um porco velho e precisava ficar mais calmo para poder ver minha amada e curtir a noite. Deitei-me na cama, fechei os olhos e relaxei, respirando fundo, tentando me acalmar e acabei adormecendo a tarde inteira. Fui acordado pelo telefonema da Lara:

- Nando, estamos passando aí agora para te pegar!

Pulei da cama, tomei um banho de gato, coloquei o meu melhor perfume, gel na cabeleira e desci as escadas correndo para esperá-las na sala. Meu Deus! 

- Din-don- din-don

Elas chegaram! Que emoção! Abri a porta e lá estavam as minhas princesas: minha melhor amiga em seu melhor vestido e a minha amada com uma blusa pink, jeans colado e um olhar surpreso e brilhante em minha direção. Meu coração quase saiu pela boca. 

- Olá, Nando! Vamos para a balada?

- S-s-sim!


Fomos para a balada. Um primo delas dirigia o carro. Conversamos tanto naquele percurso. Tínhamos muitas coisas em comum, parecia um encontro de almas. De repente ela para de falar e puxa o meu rosto, fica olhando dentro dos meus olhos por dez segundos e me surpreende com um beijo. O primeiro. O melhor momento da minha vida. Os pensamentos giravam, o coração explodia e as sensações eram as mais doces possíveis. Eu sempre quis que ela soubesse quem eu era. Até que ela soube.






Este post é uma blogagem coletiva do + QP (Mais que palavras), um grupo para nos desafiarmos quanto à escrita, estimulando a nossa criatividade. Cada blogueiro deve criar um texto seguindo o roteiro do mês de janeiro: "Era só um trabalho. Três anos a assistindo por aquela maquina. E talvez uma parte de mim tenha se apaixonado por ela, porque eu queria que ela soubesse quem eu era. Até que ela soube."  O tema de novembro foi "Caminhos"Veja aqui o post. Confira outras postagens do tema em outros blogs:



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